Retirar a fralda das crianças exige criatividade e paciência. O momento do desfraldamento para alguns pais pode ocorrer sem sobressaltos (quando o bebê sente desconforto com o adereço) ou com frustrações (quando os pequenos demoram para acostumar-se com os penicos e vasos sanitários). O importante é que todo o processo transcorra de forma natural, sem que o filho seja pressionado.
Como a fralda dá sensação de segurança, um processo forçado poderá gerar problemas. De acordo com a psicóloga Clara Monteiro, a partir dos 18 meses, algumas crianças já podem ser desfraldadas. No entanto, é normal que outras demorem mais. Os pais podem ficar atentos a sinais, como: desconforto com a fralda, aviso de que está com vontade de fazer xixi ou cocô e curiosidade em ir ao banheiro.
Os pais devem se preocupar se a criança chegar aos 4 anos de idade e ainda não tiver apresentado nenhum desses sinais. Normalmente, a falta desses sinais será acompanhada de outros problemas de desenvolvimento. Aí, é importante procurar ajuda profissional, inicialmente com o pediatra que a acompanha e, depois, se necessário, com outros profissionais como psicólogo ou neurologista explica Clara.
Comemore cada conquista
Além de ficar atenta aos sinais, a psicóloga ressalta que a família devem incentivar e comemorar cada pequena conquista do desfralde. Os insucessos e retrocessos, os quais ocorrerão inevitavelmente, não podem ser enfatizados.
A fase do desfralde é importante para que a criança vá construindo sua autonomia e independência, mas para que seja assim, é preciso que a família o faça com calma e sabedoria explica.
Pediatra da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Benjamin Roitman orienta que as famílias não devem dar ouvidos às tradicionais frases como já está com 2 anos, tem que tirar a fralda. Isso porque cada pessoa tem o seu momento. Roitman ressalta que uma criança de 2 anos e meio pode estar muito avançada em seu desenvolvimento e ainda não estar madura para o desfralde. Se o processo não for bem conduzido, o risco é de sequelas, como prisão de ventre.
Se a criança não consegue usar o penico, e os pais não permitem que ela faça as necessidades na fralda, a criança começa a se trancar, e a evacuação pode se tornar algo terrível, difícil, e, aí, pode surgir uma constipação explica o médico.
Julia está aprendendo
A estratégia da fada do xixi não funcionou ainda com Julia, 3 anos. A menina, filha caçula da pedagoga Elisa Dias Kummer, 36, reluta em abandonar as fraldas. Com a mais velha, Mariana, 7, os presentinhos que a fada trazia toda vez que ela pedia para ir ao banheiro para fazer as necessidades surtiram efeito. Com Julia, a mãe precisa exercitar ainda mais a criatividade. Isso só demonstra que não há um processo padrão e que cada criança tem seu tempo.
O processo foi diferente com a Mariana. Tiramos a fralda dela aos 2 anos e 4 meses. Em dois meses, ela não fazia mais xixi nas calças. Com a Julia, desde setembro, estou na luta conta Elisa.
Julia usa ainda fraldas para dormir. Durante o dia, fica sem. Ela, às vezes, pede para ir ao banheiro, mas, em outras ocasiões, avisa depois que já fez as necessidades. O processo deixa a mãe insegura. Quando tem de ir a algum passeio, Elisa recorre a fraldas.
Penico e calcinhas novas
A pedagoga utiliza outras brincadeiras para estimular a caçula. Como o do desafio para ver quem chega primeiro ao banheiro, o qual Julia sempre vence. O penico da criança fica visível no banheiro e serve também de incentivo. A mãe faz questão de que Julia acompanhe o processo de passagem do xixi e do cocô do penico para o vaso sanitário. Quem puxa a descarga é a menina. Outra estratégia adotada é a compra de calcinhas com desenhos de personagens infantis.
Até agora, não tem nada fora do normal. Mas fico meio frustrada, fico pensando o que de errado es